Menino.

...
Eu deveria ser um menino, até os 4 meses era menino.
Nasci sem saber o que era, queria ser alguma coisa, até hoje estou sendo o que não sei se sou.
Cresci observando gente, do Sertão do Ceará à Roma na Itália, me alimento com isso.
Não fui feita para ser o que esperam de mim, sempre me atraso ou me adianto.
Se esperam que eu dance, eu canto.
Se esperam que eu caia, eu levanto e canto de novo.
Minha graça é Rita, Raquel é meu nome por hora, não me pertence, não sou.
Sou do brega, boêmios, madrugadores e dos de boca fechada, mas atraio gente que grita, prato cheio para os meus olhos.
Já ouvi o sussurro de muitos quebrando a cabeça para me decifrar, onde anda esse segredo que não sei? Não me preocupo com isso, vou sendo. Palavras difíceis e grandes devaneios, dispenso.
Não me venha com:
Sou alternativo, escuto somente os clássicos da MPB.
Forró?! Que pessoa pequena você é!
NÃO ME VENHA, sou de tribos, Gosto do que me convêm.
Ao meu lado, gente bem resolvida, jogo aberto, simples e de bem.
Me sustento assim e vou conhecendo mais apoios na jornada.
:. Não se julga um livro pela capa.
Não se julga um livro pelo número de páginas.
Não se julga.
Se hoje não lhe agrada, amanhã pode ser outra história, literalmente.
Rita.
...
Teresa não-me-toques
torce o terço
tanto tato, tanto tino,
tanta trava...
ô tristeza!
tire o atraso, Tetê
tempo é tudo
destempere, atreva,
tropece
Se toque.
Maria Paula Alvim, do poema curta-metragem


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