Cale-se.

No compartilhamento das lembranças produz-se uma evolução.
Alguns fatos são dolorosos demais para ser contados: revelando-os, nós os revivemos de novo.
Temos então a esperança de que , com o passar do tempo, a dor desaparecerá, e que em seguida será possível partilhar com outros aquilo que vivemos e nos aliviarmos do peso de nosso próprio silêncio. Mas, volta e meia, quando não há mais sofrimento na lembrança, é por respeito a si mesmo que a gente se cala.
Já não sentimos a necessidade de desabafar, e sim a de não arrasar o outro com as lembranças de nossas próprias desgraças.
Contar certas coisas é permitir-lhes ficar vivas no espírito dos outros, quando o que afinal nos parece mais conveniente é deixá-las morrer dentro de nós mesmos.
Ingrid Betancourt - Não há silêncio que não termine.
E em respeito a você,
eu me calo, me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar.
Rita.


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